quinta-feira, junho 07, 2007

Os pecados de Paulo Bento

Agora que já passou algum tempo, aqui deixo uma pequena apreciação à temporada leonina. Antes de mais, quero deixar claro que gosto do treinador Paulo Bento. É bom profissional, trabalhador e disciplinador, no fundo a imagem do que ele foi como jogador. Treinar o Sporting aos 37 anos foi uma oportunidade que não deixou escapar e bem mereceu o seu primeiro título como treinador sénior. Mas não posso deixar passar aquilo que me pareceram ser os seus grandes pecados durante este ano.
Relativamente à vitória do Porto no campeonato, parece-me normal (e justa) uma vez que sempre estiveram na primeira posição e com alguns pontos de avanço. Dir-me-ão os mais radicais que aquele ponto que nos separou do Porto no final, poderia ter sido aquele que nos tiraram, escandalosamente, no jogo com o Paços, onde nos empurraram uma bola para dentro da baliza com a mão (à Vata). É certo que se trata de um facto concreto, diferente, por exemplo, de um penalty não assinalado ou mal assinalado. Mas penso que não podemos chorar esse lance, quando não conseguimos vencer incrivelmente Aves (que jogo mau) e Beira-Mar (que ganda buba...). Outros falarão também no jogo da Luz. O.k. naquela altura podia ser decisivo, mas empatar no campo dos «piçinhas» em circunstâncias normais não pode ser encarado como um mau resultado. O que me custou mais foi ouvir Paulo Bento no final sublinhar que tinhamos segurado o 2º lugar, que nos daria o acesso pela 2ª vez consecutiva à Champions. Aí demonstrou alguma resignação quando tinha tido um jogo à sua mercê e a possibilidade de «apertar» ainda mais o Porto.
Mas então onde residiram, afinal, os grandes erros de Paulo Bento? Esquecendo as vicissitudes atrás relatadas, normais numa prova longa de regularidade, penso que Paulo Bento falhou na escolha de alguns jogadores numa altura crucial, que nos custou alguns pontos e onde perdemos tempo na mecanização da equipa.
Pecado nº 1: A insistência em Custódio, um jogador que estagnou, lento e nulo em processos ofensivos, quando Miguel Veloso já tinha demonstrado a sua grande valia; Pecado nº 2: Na tentativa de o ajudar, foi um exagero a quantidade de oportunidades que ofereceu a Carlos Martins, que depois de tanta complacência ainda tem aquela atitude no Restelo, quando Romagnoli, a quem muitos torciam o nariz, já tinha mostrado (pelo menos a mim) o suficiente para merecer uma aposta mais constante, que o levasse a ganhar rapidamente o ritmo necessário para se impor na equipa; Pecado nº 3: Era visível desde o início que o acompanhante de Liedson no ataque tinha de ser Yannick, embora ainda tenha de crescer muito e perder a ingenuidade com que aborda alguns lances, parece-me que as opções Alecsandro e Bueno sempre estiveram aquém do que a equipa pretendia; Pecado nº 4: Com o esquema de jogo que apresentávamos, era necessário ter dois laterais mais ofensivos que pudessem compensar a falta de extremos (que o modelo impõe) na equipa. Ou seja, não podia ser com Caneira e algumas vezes com Ronny (ainda em «aprendizagem») que ganharíamos essa profundidade. A lesão de Tonel acabou por precipitar as alterações necessárias e a consequente melhoria da equipa, com a entrada de Abel para a direita (Tello na esquerda) e a passagem de Caneira para o lado de Polga (bravo, campeão do mundo).
Notas finais: Penso que Romagnoli (se ficar) vai ser um jogador ainda mais precioso na produção da equipa. Arriscaria afirmar que depois da saída de Balakov há muito que não tínhamos um «dez» deste nível. É desequilibrador, remata bem, bom no um contra um, excelente a definir no último passe, explosivo e rápido a executar... Juntava aqui as palavras de Maradona em 2000 sobre El Pipi: «O rapazito fascina-me. Faltam-lhe pernas, físico, músculos, tudo, mas sobra-lhe coragem para fintar. O resto consegue-se num ginásio.»
Parabéns especial ao levezinho pela conquista da taça, o seu primeiro título colectivo, pois penso que a sua qualidade e entrega mereciam muito mais. Diria mesmo que Liedson é jogador para ser campeão todos os anos...
Felicitações também ao «Chickens», pois nunca pensei ganhar nada com ele na baliza. Mas também, tendo em conta as vezes que já nos entalou...
Felicidades ainda para Nani. Excelente negócio para todos. E quando um jogador não tem empatia com os adeptos não custa tanto ver sair...
Por último, espero sinceramente que, embora esteja emprestado, a braçadeira de capitão seja entregue ao Marco Caneira.

4 comentários:

n_sardas disse...

em completo acordo.
Muitos dos equivocos de Paulo Bento, foram resolvidos, mais por acções externas, do que precepção das mesmas.

joaquim agostinho disse...

Tocas te nos pontos certos.
Ficar em segundo agrada ao presidente e ao clube do Carlos Freitas.
Pecado 1: Será coincidência o Miguel Veloso só ter começado a jogar quando renovou?
Se o Romagnoli não for só jogador de Primavera/Verão vai dar alegrias.

rfc disse...

Só quero deixar uma palavra ao champ92 pelo seu regresso à muito aguardado...será desta que as novas tecnologias deixam de atrapalhar...heheheheh.
Um abraço e Caneira a CAPITÃO

bala disse...

Não concordo com a apreciação a Alecsandro. Um jogador que marcou 8 golos no campeonato e mais uns na Taça com caracteristicas bem diferentes de Liedson é muito útil. Penso que é um erro voltar a ter empréstimos deste género e não fixar no plantel um avançado deste género.